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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Dia dos Santos Reis: Folia de Reis



A Folia de Reis ou Reisado é um auto popular que procura rememorar a jornada dos reis Magos, a partir do momento em que eles recebem o aviso do nascimento do Messias, até a hora em que encontram o recém nascido, Jesus. Fazendo parte, pois, do ciclo natalino, o cortejo de foliões desfila cantando no campo ou pelas ruas da cidades. 

A presença dos palhaços tem sido um elemento constante nas Folias. Segundo explicação de alguns foliões, os mascarados representam o mal, sendo a concretização dos soldados de Herodes ou do próprio demônio. Com essa vinculação ao mal, os palhaços seriam impedidos de tocar a bandeira sagrada da Folia, nunca podendo ficar à sua frente no cortejo. Há outras interdições para os palhaços, como a impossibilidade de se aproximarem do presépio ou, em alguns casos, de só entrarem na casa visitada após os cantos finais, ainda assim retirando as máscaras. 

Por todas as análises já vistas, a Folia de Reis dos Arturos se apresentou como uma incógnita a ser decifrada. Diferentemente dos modelos analisados, os palhaços constituem o elemento sagrado da festa. E, mais do que isso, são a representação diretados reis Gaspar, Melchior e Baltazar. Outro fato marca a sacralidade dos mascarados: é sempre um deles que porta a bandeira. 

Foto: Reis Magos no Quilombo dos Arturos - Contagem.Mg
Segundo o mito, quando os três Reis Magos fugiram de Herodes, Gaspar e Melchior se envergonharam de andar em companhia do negro Baltazar e resolveram desfazer-se de sua presença. Acordando bem cedo, seguiram caminho, enquanto o companheiro permanecia na estalagem. Pela manhã, ao levantar, Baltazar soube que os companheiros já haviam partido. Longe de se magoar, orou a Deus pedindo orientação e seguiu seu destino. A estrela luminosa o conduziu prontamente à gruta de Belém, onde se maravilhou com a graça de se ajoelhar diante da criança divina. Jesus-menino lhe acariciou a pele negra dizendo: 

" - Porque foste bom e alegre, eu te conduzi a minha presença. És bendito entre todos os reis e terás para sempre o dom da alegria e da juventude." 
Passou-se muito tempo antes da chegada dos outros Reis: sofrendo os rigores da temperatura e as asperezas do caminho, um chegou velho e alquebrado ( Gaspar ), enquanto o outro, trêmulo e de andar hesitante, parecia sentir todo o frio do mundo ( Belchior ). 

O mito nos coloca diante dos três palhaços da Folia dos Arturos, caracterizando a gênese da festa: o negro Bastião, o alegre e saltitante homem das perguntas e das brincadeiras; o Véio, representante da decrepitude dos que seguem os percursos mais longos para chegar à Verdade; e o Friage, o mascarado que só treme e gagueja sentindo o frio dos que renegam a alegria e a humildade. 


A fundamentação mítica que conta a história do rei negro resgatado por Jesus foi a origem da Folia que Arthur Camilo ensinou a seus filhos. A resistência étnica que norteou a fundação da comunidade dos Arturos se refaz e se reforça numa festa que celebra a comunhão da família celeste e da família humana.

Fonte: Unicamp

Divinópolis - Minha ligação


O Dia dos Santos Reis foi festejado em Divinópolis com missa e lançamento de livro. A obra "Tambores do Céu: o Congado no Oeste de Minas" tem textos de João Novais e fotos de Cyro José. "Embora o congado e a folia de reis sejam manifestações distintas, a razão do lançamento do livro é que muitos foliões são também congadeiros", explicou, em nota, a Diocese de Divinópolis. Infos sobre o livro: Informações: (37) 9109-5442

Dia do Lançamento do Livro - Foto A Gazeta/Formiga

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Ligações para Divinópolis: Bora achar os trem perdido!

Divinópolis no início do século passado. 

Foto: Coleção Rodrigo Andrade 
Procurando meu bisavô, ligo pra Minas. E como são as Ligações para o interior de Minas?
Ligo na Secretaria de Cultura de Divinópolis, pra buscar informações:
- Alô, bom dia. Meu nome é Cecília, eu estou gostaria de falar com o Sr. Geraldo.

- Só um minutin que vou passá.. Ah, mas esse nome seu é lindimais. É o nome da min subrinha. (Imaginem isso cantado em mineirês!)

Aí vem Sr. Geraldo.
- Seu Geraldo, eu estou procurando o telefone da CONGADIV (Congregação de Congadeiros de Divinópolis). É que estou tentando achar contato com parentes antigos...
- Vou te passar o telefone. Mas me explica issaí.
- Então, meu bisavô era Rei de Congado aí. Só sei o nome dele, mais nada. Aceito dicas se o puder me ajudar.
- Qual o nome dele?
- Eugênio Rosa, conhecido como Seu Geninho.
- Ah, perai (Passa uns segundinhos). Desculpa fazê ocê esperá.
- Ih, Seu Geraldo. Eu esperei 35 anos. Tô com tempo. (Risos)
- Aqui,... mas intão ocê tem que falá com a Lourdes! Ela é congadeira antiga aqui. Pai dela era rei tamém. Ihhh... Mas tô achano que o telefone dela mudou. Liga lá no seu Vicente e pede o telefone dela. Ele tb é do Congado. São os maizantigo. Mas óia... tô lembrano um trem aqui. Eu cunheço uma familia Rosa. Meus vizinhos... Ocê cunhece Joaquim Rosa?
- Ih, Seu Geraldo. Conheço nada nem ninguém. Só sei o nome. Mais nada.
- Faz assim intão. Liga pra Alair primeiro. Aqui o número XXX. Liga lá. Ela é filha do seu Joaquim e pode ajudar. São Congadeiros antigos aqui.
- Muitíssimo obrigada por se dispor a ajudar, seu Geraldo!
- Ah, tomara que ocê ache. Se precisá de mais alguma coisa, me retorna aqui.

Gente, Minas, melhor povo <3

Não conhece o melhor sotaque do mundo? Pois conheça!



Segue a saga!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Alô, Congado!

Hoje foi um dia de muitas ligações. Como ontem descobri que meu bisavô, Seu Geninho, era mestre de Congado em Divinópolis, hoje passei o dia tentando saber qual a Irmandade ou Reizado. Mas sem muito sucesso...
Pra quem não sabe, O congado que também é conhecido como congo ou congada, é uma manifestação cultural e religiosa de influência africana celebrada em algumas regiões do Brasil, principalmente no estado de Minas Gerais (onde nasci). Você pode ler mais clicando aqui.

Percebi então que a saga será maior do que imaginei. Por isso decidi criar o blog, pra organizar minha saga e facilitar, de alguma forma, a saga de quem se interessa em desenterrar sua história.

Então... As únicas informações que tenho até agora são:


  • Meu bisavô se chamava Eugênio Rosa
  • Pelas minhas contas (Meu pai nasceu em 1953), ele pode ter nascido por volta de 1910
Foto: Arquivo Ronaldo Carmo
Numa primeira busca, achei info da existência da Congregação dos Congadeiros de Divinópolis, a CONGADIV. E isso é tudo. Não tem página no Facebook, nem site. Nada dessas facilidades adoráveis.

Então.... liguei na Secretaria de Cultura da cidade. 3x. Porque só o Senhor Geraldo Tomé tem o telefone da CONGADIV e conhece o presidente, Sr. Ronaldo Carmo. Mas o Geraldo estava na rua e só tem o telefone anotado na agenda, que ficou na Prefeitura. Pediu pra eu ligar amanhã.

#Oremos!

E a saga continua...